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Antônio de Pádua Gomide - Luthier

Classic Cutway - Nelson Faria


Um dos mais gratos prazeres da vida de um luthier é ver os instrumento nascidos em suas mãos sendo tocados por seus ídolos musicais. Pois foi com grande alegria que recebi, em 2005, um telefonema de Nelson Faria se dizendo interessado em um de meus violões. Nos primeiros segundos do telefonema permaneci atônito, imaginando se era o mesmo Nelson que poucos dias antes eu ouvia em uma gravação com meu conterrâneo, o maravilhoso cantor e compositor mineiro João Bosco.

Era ele mesmo. Compositor, violonista, guitarrista, professor e... aluno! Ele não pára de estudar nunca! O mesmo Nelson Faria de Belo Horizonte, que viveu também em Brasília antes de ganhar o mundo. Aquele que "aparece em mais de uma centena de discos, o ao lado de João Bosco, Toninho Horta, Milton Nascimento, Wagner Tiso, Edu Lobo, Fátima Guedes, Cassia Eller, Zélia Duncan, Tim Maia, Leila Pinheiro, Paulo Moura, Ivan Lins, Gonzalo Rubalcaba, Lisa Ono, Baby do Brasil, Maurício Einhorn entre outros, e que acumula no currículo apresentações em quase todo o Brasil, no Japão, Estados Unidos, Israel , Argentina, Portugal, Espanha, França, Alemanha, Áustria, Macedônia, Itália, Turquia, Suécia, Noruega, Dinamarca, Lithuania, Finlandia, Suíça, Holanda, Slovênia, Bósnia, Inglaterra, Ilha de Malta, Ilhas canárias e Ilha da Madeira..." Ufa! Que susto, Nelson!

Então, vamos lá. O que posso fazer por você, maestro? Ele estava impressionado com a sonoridade de um violão que construí para um de seus alunos e queria um igual. Igual nada. Ele queria um violão que tivesse a sonoridade e a tocabilidade parecidas, mas tinha que ser um cutway. Menos mal. Ele me poupou um pouco, pois do jeito que toca, poderia ter pedido um violão com 200 cordas, 10 braços e 50 casas!

Surge, então, desafio de se construir um violão clássico cutway e com sistema de amplificação embutido. Debrucei-me sobre a bancada para desenhar o instrumento já pensando nos holofotes que o iluminariam pelo mundo. Decidi empregar no tampo a mesma estrutura harmônica que desenvolvi (vide APG Clássico Especial) ao longo de meus anos de trabalho.

As madeiras teriam que ser as mais especiais do meu acervo, pois ele precisava do instrumento "falando" em pouco tempo para com ele realizar gravações e apresentações. Selecionei um dos tampos de cedro canadense (Thuja plicata) que me foram passados por meu amigo e mestre luthier Roberto Gomes há mais de 10 anos e que já estavam com ele também há tempos. Para o fundo e laterais, busquei peças de jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra) entre os kits obtidos a partir de madeiras de demolição que, seguramente, possuem mais de 100 anos de cura. Uma boa peça de cedro-rosa (Cedrella fissilis) retirados de uma antiga prateleira da loja de aviamentos de minha mãe para fazer o braço e estava pronto o elenco dos materiais.

O desafio estava, realmente, na realização do recorte da caixa, pois estes modelos requerem grandes transformações na lateral e na sua junção com o salto do braço. Isto além da dificuldades criadas na união entre as peças interrompidas das laterais e na sua filetagem para garantir uma boa estruturação do corpo do instrumento.

Uma vez superadas as dificuldades estruturais do instrumento, veio a instalação do sistema de captação e amplificação. Empregamos o sistema Fishman Prefix Stereo Blender de captação dupla - um microfone de eletreto junto à caixa do preamplificador e um cristal piezoelétrico sob o rastilho. Este tipo de sistema permite que se tenha uma boa definição do ataque das cordas que é captado pelo cristal, ao mesmo tempo que é preservada a ressonância interna da caixa que é captada pelo microfone, resultando num timbre realmente acústico. No acabamento foi empregada a goma-laca incolor no tampo e um verniz poliuretânico bicomponente nas demais partes do instrumento.

O resultado de todo esse trabalho pode ser observado quando Nelson se apresenta com o seu violão exclusivo. Este modelo hoje faz parte de minha série de violões especiais e pode ser reproduzido para aqueles que o desejarem.

Sinto-me satisfeito pelo que conseguimos obter e muito honrado por meu instrumento estar sendo dedilhado por um dos maiores músicos de todo o mundo. Notas longas ao maestro Nelson Faria!

 

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