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Antônio de Pádua Gomide - Luthier

Santos Hernandez (1874 - 1943)


Aquele que foi o mais primoroso construtor de violões flamencos do século XX, Santos Hernández, produzia também finíssimos instrumentos de concerto. Hernandez foi aprendiz de Manuel Ramirez. Juntamente com seu mestre, Ramirez,  com Antônio Torres, Domingo Esteso e Marcelo Barbero, indiscutivelmente, compôs o grupo dos responsáveis pelo desenvolvimento da verdadeira arte dos violões flamencos.

Os violões flamencos diferem dos clássicos em vários aspectos. De maneira geral, são menores e mais leves. Utilizam as madeiras de abeto no tampo e cipreste espanhol no fundo e laterais. A estrutura dos tampos deriva fortemente do tradicional "leque harmônico" de Torres (curiosamente, e possivelmente sem nenhuma ligação, relata-se o fato de que os leques utilizados pelas bailarinas flamencas são também fortes símbolos desta cultura milenar). Como resultado de tais combinações, surgem violões de grande potência e excepcional projeção sonora no ambiente. Seus timbres, porém, são excessivamente brilhantes e o ataque é penetrante e de curta sustentação.

Naturalmente, tais características são adequadas ao estilo musical que emprega estes intrumentos. As peças flamencas são vigorosas, de fraseado rápido e, muitas vezes, seu desenvolvimento e execução estão associados ao canto e ao baile, com o acompanhamento de instrumentos de percussão e palmas, ambiente em que o guitarrista precisa se impor com energia.

Os ciganos e árabes trouxeram do oriente o alaúde e muitos outros instrumentos que, em solo europeu, se transformariam continuamente e se espalhariam pelo resto do mundo. A cultura dos ciganos da Andaluzia (região a sudeste da Espanha), chamada cultura Flamenca, traz uma marca de sangue e sofrimento imposta pelas constantes perseguições sofridas por esse povo nômade e não-cristão que tem sua origem na India de milênios antes de nossa era. Em sua própria pátria, as perseguições já ocorriam. Migrando para a Europa através da Turquia e Armênia ou pela costa mediterrânea da África, o povo cigano raramente encontrou paz. Já no século XX, foram cruelmente perseguidos e dizimados pelo demoníaco nazismo de Hitller. Assim, à semelhança do blues norteamericano, o flamenco se originou no canto punjente de um povo sofrido ao extremo.

Nos séculos XVIII e XIV, outros elementos foram incorporados ao canto, como a dança e la guitarra. O termo "guitarra" deriva do grego "kithara", instrumento de cordas dedilhadas semelhante a uma lira, cuja existência remonta a tempos mitológicos. Através do latin "cithara", temos em português o termo cítara. O termo "gitano", que é sinônimo de cigano, por sua vez, deriva do grego "egypsiano" ou "gypsiano", que quer dizer egípcio. Isto porque ainda no primeiro milênio da Era Cristã, hordas de ciganos se estabeleceram em um fértil vale na ilha grega do Chipre que recebia o nome de Pequeno Egito, em referência à generosidade da terra naquele local, o que lembrava as margens do Nilo.

Grandes artistas como o guitarrero Tomatito e o cantor Camarón de la Isla mantêm viva a cultura flamenca em sua essência. É impossível, ao se referir ao flamenco, não mencionar a figura daquele é considerado um dos maiores violonistas de todos os tempos: Francisco Sánches Gomes ou, como é conhecido em todo o mundo da música, Paco de Lúcia, apelido pelo qual era chamado em seu bairro de origem, em Cádiz, Espanha. Lúcia Gomes foi sua mãe e incentivadora. Paco formou com Camarón de la Isla uma parceria que se tornou mítica e que lhes rendeu seus primeiros discos nas décadas de 1960 e 1970, quando ainda estavam profundamente ligados ao flamenco mais ortodoxo. Posteriormente, Paco tornou-se um músico universal, promovendo a fusão do flamenco com o jazz, o rock e outros estilos por todo o mundo.

Gypsy Song

Rie Sheridan

Venha ouvir o pandeiro!
Venha juntar-se a dança!
A seda girando em máscaras de luz,
Veludo negro como a sombra da noite
Ouro e prata podem comprar seu futuro.
Pedaços de papel desbotado.
As caravanas correm pelo fulgor dos campos de batalha
Mantendo os segredos conhecidos pelos ciganos.
Agitados, seguimos nosso caminho.
Nada significam para nós as casas quentes e as cidades.
Somos dançarinos girando com gemas negras nos olhos.
Os séculos não nos domesticaram!

(Canção cigana, por Christovão Abrahão)

 

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