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Antônio de Pádua Gomide - Luthier

Matéria-Prima


A combinação entre as matérias-primas, os projetos dos instrumentos e as técnicas construtivas é determinante para a qualidade final de um instrumento. Desta forma, a escolha das madeiras, adesivos, vernizes, trastes, tarrachas, cordas e até mesmo dos materiais que serão utilizados nas pestanas e rastilhos é de fundamental importância. A seguir, listamos as peças e materiais utilizados no atelier de Antônio de Pádua Gomide. Em alguns momentos, são identificadas as características mais importantes para a qualidade dos materiais e acessórios utilizados em um instrumento.

As Madeiras

O uso de peças de madeiras de espécies adequadas e que passaram por um processamento especializado garante boa parte do sucesso de um projeto. É de grande importância que as peças de madeira tenham sido obtidas a partir de cortes radias dentro das toras e que tenham passado por um processo de secagem lento e duradouro o suficiente para que apresentem teor de umidade em torno de 10%.

Madeiras para Tampos

O tampo é, sem sombra de dúvida, a parte principal de um instrumento no que diz respeito à sua qualidade sonora (vide Torres). As madeiras adequadas para a produção de tampos de violões são obtidas a partir de pinheiros que crescem em clima temperado, principalmente nas florestas de coníferas do Hemisfério Norte. Podem ser citadas como principais, algumas espécies dos gêneros Picea e Abies, além dos cedros e sequóias (Sequoia sempervirens), de uso menos comum. As características mais importantes para que uma espécie seja adequada a produção de tampos são: baixa densidade, alta rigidez (combinada à baixa densidade) e homogeneidade em sua estrutura anatômica.

Pinho-alemão (Picea abies)

Outros nomes vulgares: abeto, pinho-sueco ou, simplesmente, pinho. O pinheiro procedente do norte da Europa é a madeira mais tradicional indicada na construção de instrumentos musicais em todo o mundo, possui coloração pardo-escura com algumas variações. Tem sido empregado por séculos nos tampos de violinos, violoncelos, tábuas de ressonância de pianos, cravos, etc. Abies alba é outra espécie européia de propriedades e usos similares e que também recebe o nome vulgar de abeto.

O nome vulgar "pinho" é também atribuído à espécie brasileira Araucaria angustifolia (pinheiro-do-Paraná ou pinheiro-brasileiro), o que gera algumas confusões. O pinheiro-do-Paraná fornece a melhor madeira brasileira para a produção de tampos, porém não supera a qualidade do pinho-alemão.

Outra confusão bastante comum dá-se com as espécies de pinheiros do gênero Pinus, representado comercialmente no Brasil principalmente pelas espécies Pinus elliottii, Pinus oocarpa e Pinus caribaea que são utilizadas na indústria de móveis e chapas de madeira (compensados, aglomerados e chapas de fibra).

Cedro-do-Canadá (Thuya plicata)

Outros nomes vulgares: western redcedar, cedro-vermelho-do-oeste, cedro-do-Óregon, cedro candense ou, simplesmente, cedro. Pinheiro procedente do noroeste da América do Norte, é uma madeira também muito utilizada na produção de tampos de violão.

Apresenta coloração marrom-avermelhada ou rósea-escura; possui densidade e rigidez mais baixas que o pinho-alemão, porém é madeira de altíssima qualidade para tampos, devendo-se apenas adequar a estrutura do instrumento às propriedades dessa madeira.

Uma confusão bastante comum é tomar-se o cedro-do-Canadá pelo cedro-rosa (Cedrella fissilis) que não é um pinheiro mas uma folhosa da Mata Atlântica brasileira. O cedro-rosa produz madeira róseo-avermelhada de densidade média e alta estabilidade dimensional que juntamente com o mogno (Swietenia macrophylla), são as melhores madeiras brasileiras para a confecção de braços de violões e têm sido empregadas com êxito em todo o mundo para esta finalidade. Existe ainda uma espécie amazônica semelhante ao cedro-rosa em suas propriedades que é chamada cedro-da-Amazônia ou cedro-do-Pará (Cedrella odorata).

Outras confusões ocorrem com outra espécie de pinheiro que é conhecida vulgarmente como cedro-do-Líbano (Cedrus libanni) que ocorre desde o Oriente Médio até a Península Ibérica. Existem ainda várias outras espécies de pinheiro de clima temperado que recebem o nome vulgar cedro.

Spruce (Picea rubens, Picea glauca e Picea mariana)

Outros nomes vulgares: eastern spruce, red spruce (P. rubens), white spruce (P. glauca) e black spruce (P. mariana). Pinheiros que ocorrem na região nordeste dos EUA e sudoeste do Canadá; possuem madeiras de cor palha e de propriedades praticamente idênticas a ponto de não serem distinguidas comercialmente. As três espécies apresentam excelentes propriedades acústicas.

Sitka spruce (Picea sitchensis)

Outros nomes vulgares: sitka, abeto sitka. Pinheiro que ocorre em toda a costa oeste da América do Norte. Apresenta coloração rósea muito clara, densidade e rigidez um tanto mais elevadas que o cedro-do-Canadá, porém de excelentes propriedades acústicas.

Elgelmann (Picea engelmannii)

Outros nomes vulgares: Elgelmann spruce, white spruce e mountain spruce. Pinheiro que ocorre nas partes mais levadas das Montanhas Rochosas nos EUA. Madeira de cor palha muito clara de propriedades semelhantes aos spruces.

Douglas-fir (Pseudotsuga menziesii)

Outros nomes vulgares: red-fir, Douglas-spruce e yellow-fir. Pinheiro que ocorre naturalmente em quase toda a região temperada da América do Norte. Madeira de cor avermelhada e anéis de crescimento bem visíveis com o lenho tardio mais espesso e madeira com maior densidade e rigidez do que normalmente se observa em pinheiros de clima temperado. Sua utilização em tampos requer grande habilidade por parte do luthier, pois devem ser dosadas adequadamente a espessura e altura das barras harmônicas para compensar as suas características.

 

 

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